segunda-feira, 4 de maio de 2009

Olhei pra platéia. Nada, era um nada. Pra mim era tudo, sempre foi tudo. Ninguém ali, o escuro. Um foco de luz no palco, mas só um, o que bastava para não enxergar mais nada do lado de lá. Uma chama. Parecia um isqueiro aceso, aceso por alguém e do nada. Um alguém que não estava lá. O nome do ninguém era George, um antigo amigo que tinha costume de acender um isqueiro enquanto eu estava no palco para que eu pudesse achá-lo enquanto estivesse ali em cima, concentrada no meu palco. Digo “antigo amigo” porque ele se foi, mas naquele momento ele tava ali, de corpo e alma pra mim. e eu estava ali, de alma pra ele. O anjo se foi cedo. A peça dele acabou antes do fim do primeiro ato. Mas é o ciclo da vida. Nascer, pensar, crescer, viver, viver, viver, e dormir no fim. E é claro, conseguir provar que é além do que parece ser, que já não vê mais as coisas por fora e agora já vê por dentro também. George foi aprovado cedo, e então ele viajou. E vou te contar que agora ele tá no paraíso... água de coco todo dia, amigos por perto... o sol bate sempre lá, a chuva vem as vezes, mas do que importa? Ele é feliz. Já achou um lugar sem guerra, sem fome, sem absurdos, sem alienação. Ele sim sabe como aproveitar a ... vida !?

Para L.M.M.

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