segunda-feira, 4 de maio de 2009

Se essa rua fosse minha...

"A viatura foi chegando devagar, e de repente, de repente resolveu
me parar. Um dos caras saiu de lá de dentro já dizendo: “ai
compadre, você perdeu, se eu tiver que procurar você ta fudido!
acho melhor você ir deixando esse flagrante comigo.” No início eram
três, depois vieram mais quatro, agora eram sete samurais da
extorção, vasculhando meu carro, metendo a mão no meu bolso,
cheirando a minha mão."
 
É esse tipo de poesia que encanta agora. Voltando um tempo atrás,
não muito tempo... mas o bastante pra garota de Ipanema voltar a
passar, o bastante pro Elvis suplicar um amor com ternura, o
bastante pra beatlemania ser sinônimo de histeria, o bastante pra
relembrar os tempos de sonhos. Circo Voador no Arpoador, o forró na
Lapa, e o verão da lata ? Lendas. Lendas que sempre vamos ouvir com
uma certa vontade de querer mudar tudo, de perceber que nascemos
na época errada. Ter a bossa nova como trilha sonora de uma vida é
um privilégio para aqueles que agora têm que encarar a vida com essa
nova geração que se encanta com um quadrilátero regular. Não sei se
isso está causando encantamento, mas os encantamentos daquele
outro mundo parecem melhores. Alguns, poucos conseguem se
conscientizar que a alienação não leva ninguém aos melhores
prazeres da sua vida. E dentre esses poucos, apenas alguns não
estão preocupados com as novas regras da geração atual, que na
verdade não eram pra ser regras mas já estão na lista dos “preceitos
a seguir”. E a mídia... Ah a mídia! Pra que ela existe ? O objetivo dela
é por a consciência de muitos pra dormir, ninando, dando benção, beijo
de boa noite e cobrindo a moralidade.
Então vamos ? Vamos rearmar o Circo Voador no Arpoador, ressuscitar
alguns Elvis por aí, dar adeus às águas de março, e ver mais vezes o
pôr do sol. Vamos nos viciar nos prazeres de verdade.

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